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Entrevista à jogadora Ana Marisa Goulart

Ana Marisa Goulart é engenheira do ambiente. Iniciou a prática do basquetebol no Fayal Sport Club no escalão de iniciadas e ao prosseguir estudos no ensino superior, foi viver para Aveiro, continuando aí, a prática do basquetebol. Foi jogadora do Esgueira e do Gafanha, tendo jogado basquetebol na 2ª Divisão Nacional e na Liga Portuguesa de Basquetebol.

Na época 2003/2004, apesar de residir em Lisboa, transferiu – se para o Fayal Sport Club e até hoje tem sido uma jogadora com um papel muito importante na estrutura de jogo do Fayal Sport. É capitã da equipa sénior desde a época 2006/2007 e obteve 5 títulos na 2ª divisão nacional feminina – Série Açores. Fomos ao seu encontro, colocando algumas questões relativas ao seu percurso como jogadora.

 

Ana Marisa Goulart (nº6), Fayal SC x Operário a 26.02.2012

Quando foste viver para Aveiro, por motivos de estudos, porque é que decidiste continuar a jogar basquetebol?

No Distrito de Aveiro há grande tradição de basquetebol. Existem bastantes clubes, muita gente a praticar a modalidade, com uma dinâmica muito interessante! Quando soube que fiquei colocada na Universidade de Aveiro, pensei logo que era uma boa oportunidade para continuar a jogar basquetebol e para ter uma experiência diferente como jogadora. Tive uma colega de turma que jogava no Esgueira e, por coincidência, jogadoras da Marinha Grande com quem o Fayal Sport fez um intercâmbio em 1993/1994. Comecei por jogar para a equipa da universidade e, por influência das colegas que jogavam nas juniores do Esgueira, também comecei a jogar lá. Nesse ano, joguei nas juniores e comecei a treinar nas seniores.

Quantos anos é que jogaste no Esgueira e no Gafanha e em que níveis competitivos?

No Esgueira, joguei na época de 1996/1997 em juniores, no campeonato distrital, e de 1997/1998 a 2000/2001 em Seniores, na 2ª Divisão Nacional – Zona Norte e na Liga Portuguesa de Basquetebol. Na época de 1997/1998 fomos à fase final da 2ª Divisão Nacional, não tendo conseguido apurar para a divisão superior, e na época seguinte, de 1998/1999, a equipa sénior feminina sagrou-se Campeã Nacional, ganhando o direito de disputar a Liga Feminina de Basquetebol.

Interrompi a minha atividade enquanto jogadora federada em 2001/2002 porque fui estudar para a Finlândia, através do Programa Erasmus. Nunca me desliguei da prática da modalidade, durante esse ano participei em eventos desportivos organizados na universidade e organizávamos jogos entre os estudantes internacionais.

No Grupo Desportiva da Gafanha, joguei na época de 2002/2003 na Liga Portuguesa de Basquetebol.

 

Essa foi certamente uma experiência importante na tua formação e enriquecedora como jogadora. O que é que nos podes transmitir dessa tua experiência?

É preciso muito trabalho e muita dedicação para se poder evoluir e dar um contributo positivo à equipa, quer nos treinos quer na competição. Ter espírito de sacrificio e saber lidar com o insucesso para poder superar as dificuldades. Ter espírito de equipa e assumir o compromisso com a equipa para trabalhar em conjunto, só assim é possível haver sucesso desportivo. Estes são ensinamentos não só para ser boa atleta e boa jogadora de basquetebol mas também contribui para o sucesso na vida pessoal e profissional.

É muito importante que, para se obter sucesso enquanto jogadora, se passe por outras experiências, com treinadores, modelos de treino e, se possível, em níveis competitivos diferentes, para sentir a necessidade de trabalhar para evoluir e ter melhor prestação desportiva. Assim, é possível dar valor ao trabalho desenvolvido perante a nossa realidade, compreender as dificuldades existentes e contribuir, de forma positiva, para o sucesso da equipa.

As exigências da competição (de nível superior) obrigam a que os jogadores tenham comportamentos perante os treinos e a competição, distintos da nossa realidade. Sentiste certamente essa realidade com a necessidade de adaptação aos treinos e aos jogos. Que mensagem podes transmitir a todas as jogadoras que possam passar por essa experiência.

A existência de maior número de atletas disponíveis e de um nível competitivo mais exigente, para se conseguir ter algum sucesso, obriga a muito trabalho e muita dedicação. São muitas horas de treino e jogos todos os fins de semana, desde Outubro até Abril/Maio. Houve alturas em que treinávamos praticamente todos os dias e jogávamos ao fim de semana. Também é preciso muita organização para que os estudos ou trabalho não sejam afetados.

Na nossa realidade, o trabalho do treino é muito importante. Treinamos a maior parte do ano para ter poucos momentos competitivos. É necessário assumir o compromisso com a equipa e concentrar e aplicar no trabalho realizado no treino. É importante estar disponível para aprender e corrigir os erros, aceitando as indicações do treinador.

Em que posições jogavas? Qual a tua posição atual e qual a tua posição preferida?

Na maior parte do tempo joguei na posição de extremo, tendo em poucas situações jogado na posição de poste. Tive o privilégio de ter grandes jogadoras postes como colegas de equipa, o que, com o treino e a observação do trabalho delas, me permitiu adquirir algum conhecimento e gosto pelo trabalho de poste.

Atualmente jogo a base, no início senti algumas dificuldades mas, depois de bastante treino e da experiência competitiva, estou mais à vontade e gosto muito de jogar nesta posição, especialmente pela responsabilidade de “assumir” e “comandar” o jogo da equipa.

Gosto de jogar a todas as posições!

 

O que é que sentes quando marcas um cesto?

É muito um sentimento de satisfação pelo sucesso. É muito gratificante, podermos contribuir para o sucesso da equipa, não só pelos cestos marcados mas também por contribuir para as colegas de equipa marcarem.

Qual a tua reação depois de uma vitória e de uma derrota?

A vitória é sempre festejada com satisfação e muita alegria e a derrota com muita frustração, especialmente se damos tudo por tudo e não conseguimos obter a vitória. É preciso saber ganhar e perder mas é claro que a vitória é sempre muito gratificante.

Sentes que o tempo que despendes para o basquetebol é recompensado?

Sim, o tempo que é despendido permite ganhar em muito a boa disposição e o equilíbrio entre o corpo e a mente, para além de contribuir para ter melhor postura quer dentro quer fora do campo.

Como capitã de equipa tens conseguido manter um bom espírito de equipa, revelando a equipa sénior, época após época, um espírito de grupo importante para os sucessos que se foram obtendo. Como é que sentes o teu papel como capitã de equipa?

Sinto que é uma responsabilidade perante a equipa, tendo em conta a importância da minha postura em campo, a necessidade de tentar resolver as situações práticas em jogo e, para além disso, tentar sempre criar condições para manter o bom espírito de equipa dentro e fora do campo. Uma equipa de basquete não é um grupo de amigos, pelo que é importante criar condições para aproximar as jogadoras e criar bom ambiente, contribuindo assim para o seu melhor desempenho desportivo.

Os objetivos para esta época em termos de resultados desportivos não foram cumpridos. O que é que achas que sucedeu, com a prestação da equipa na série Açores?

Penso que iniciamos bem a época desportiva, com o reforço de jogadoras importantes e com um modelo de jogo mais aberto, com muita leitura de jogo e com mais liberdade para a decisão das jogadoras.

Depois houve alguns contratempos, antes do início da Série Açores perdemos uma jogadora influente por lesão, a Ilídia, que fez diferença quer na defesa quer na concretização do ataque, em especial contra ataques.

A falta de competição local regular e com um nível competitivo mais elevado também não contribui para a melhoria da prestação da equipa.

Durante a competição houve pouca regularidade de número de jogadoras no treino, por motivos quer profissionais quer pessoais. A maioria das jogadoras já se encontram a trabalhar e nem sempre é fácil ter a equipa completa nos treinos. Em alguns jogos da Série Açores não tivemos jogadoras influentes disponíveis, o que condicionou o nosso sucesso.

As quatro equipas que participaram na Série Açores estavam muito semelhantes, perdemos jogos por poucos pontos, que poderiam ter sido vitórias. Verifica-se em algumas equipas, um trabalho técnico-tático pouco vincado e com maior incidência no trabalho da agressividade das jogadoras. Em jogos com muita agressividade, nós não conseguimos superar e também se verificou diferentes critérios praticados pelas arbitragens das três ilhas.

De um modo geral, a prestação da equipa, no seu conjunto, esteve um pouco limitada, o que condicionou a classificação final da equipa na Série Açores.

O Fayal Sport tem revelado sempre ao longo dos anos, a preocupação de captação e formação de jovens jogadoras, como é que vês o futuro do Fayal Sport?

Penso que, nos últimos anos, a captação de atletas do escalão de minis tem sido bem sucedida. Atualmente existe um grande grupo de minis, com qualidade e com vontade de trabalhar. Este grupo bem orientado e desenvolvendo um bom trabalho, dará certamente boas jogadoras no futuro, que permitirão dar continuidade ao basquetebol no Fayal Sport.

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