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Entrevista à jogadora e treinadora Viviana Vieira

Viviana Vieira tem 23 anos, é licenciada em Educação Básica e atualmente é jogadora de basquetebol do Fayal Sport Club e treinadora de minibasquete no mesmo clube.

A Viviana iniciou a prática federada do basquetebol na época 2002/2003 no Fayal Sport Club e joga basquetebol desde essa época desportiva.

Foi também jogadora federada no Clube União Sportiva durante quatro épocas desportivas, de 2011/2012 a 2014/2015.

No seu currículo desportivo conta com diversos titulos regionais e nacionais:

Pelo Fayal Sport Club – Campeã Regional de Sub14 (2006/2007); 1º lugar no Campeonato Nacional da 2ª divisão feminina – Série Açores (2010/2011); Campeã Regional de Seniores (2015/2016);

Pelo Clube União Sportiva – Campeã Regional de Seniores (2011/2012, 2013/2014 e 2014/2015), 1º lugar no Campeonato Nacional da 1ª divisão (2012/2013) e 1º lugar no Campeonato Nacional da Liga (2014/2015).

A Viviana Vieira integrou a Seleção Associativa de sub14 nas épocas de 2004/2005, 2005/2006 e 2006/2007. Representou também os Açores nas seleções Regionais de sub14 (2006/2007) e sub16 (2008/2009).

Fomos ao seu encontro, colocando algumas questões relativas ao seu percurso no basquetebol.

Com que idade é que começaste a jogar basquetebol?

Eu comecei a jogar com 9 anos.

Como é que começaste? Quem é que te levou para o basquetebol?

O meu padrinho é que me incentivou a entrar para o basquete. Ele ofereceu-me a primeira bola de basquete e brincava comigo para ver se eu me entusiasmava e lá acabei por entrar.

Porque é que escolheste o Fayal Sport Club?

O meu padrinho sempre foi do Fayal Sport e no dia em que eu nasci ele pôs-me sócia do clube (ahahah), portanto foi ele que me incentivou a entrar para o basquete e claro que só podia jogar no Fayal!

Achas que a prática do basquetebol contribuiu para a tua formação?

Sem dúvida! O basquete para além de me ter ajudado a desenvolver várias competências físicas, também me ajudou a ser autónoma, responsável, saber estar e fazer parte de uma equipa, ajudar e a respeitar os outros. Em dias de treino eu saía da escola e ia a pé até ao pavilhão do Fayal Sport.

Sempre fui muito assídua aos treinos, e mesmo na altura de testes chegava mais cedo ao pavilhão e estudava para depois treinar.

Isto tudo fez com que eu me tornasse mais responsável e que me empenhasse nas coisas em que estava. Eu sempre gostei de treinar e então organizava-me muito bem para que não faltasse a um treino e a um jogo. Para além disto, o basquete também me ajudou a saber perder e a saber ganhar e a transpor isso para a minha vida.

Depois de concluires o ensino secundário prosseguiste os teu estudos em São Miguel. Explica-nos o que foi para ti chegar a São Miguel e jogar noutro clube e noutro nivel competitivo.

Quando fui para o União Sportiva conhecia algumas colegas com quem já tinha jogado na Seleção Açores, no entanto, claro que fui jogar pelo gosto que tinha e tenho pelo basquete e não pelas amizades. E isto é importante que os mais novos percebam, quando estamos numa equipa podemos não ter os melhores amigos ao nosso lado, mas se gostamos realmente do basquete não desistimos por causa dos amigos ou dos treinadores!

É muito importante saber respeitar os outros, saber estar numa equipa e saber ser colega de equipa.

Relativamente à competição, quando cheguei a São Miguel ainda era sub19 e todos os fins de semana existiam jogos, seja para jogar ou para ver dos vários escalões. Comparando à realidade que tinha no Faial era diferente, pois ao longo dos meus anos de formação não tive equipas na ilha para jogar.

Cheguei a São Miguel e jogávamos quase todos os fins de semana o que dá outro ritmo e vamos ganhando muita experiência de jogo. Também nos treinos tinha muito mais oposição, mas foi com essa oposição que fui evoluindo.

No segundo ano em que estive em São Miguel, o União Sportiva foi para a 1ª divisão e na época seguinte subiu para a Liga. Nestes três anos surgiram várias mudanças de época para época, como ter que treinar todos os dias, ao fim de semana existia sempre jogo e a intensidade dos treinos era muito maior.

Na 1ª Divisão, nas férias entre semestres da universidade, cheguei a fazer dois treinos por dia, na hora de almoço era treino de lançamentos e à noite o treino normal de equipa. Apesar de muitas vezes ser difícil e cansativo porque estava numa equipa com algumas jogadoras profissionais nunca desisti e dava sempre o meu máximo.

Em que posições é que jogavas no Clube União Sportiva? Qual a tua posição preferida?

Joguei a extremo e a poste, mas dependeu do nível de competição.

Quando entrei para o CUS jogava a poste, na altura joguei o regional de juniores e séniores.

No ano seguinte, na 1ª divisão, treinava e jogava a extremo poste.

Depois quando subimos para a Liga o nível era muito superior, tinham jogadoras muito altas, o jogo interior era muito intenso e eu só treinava a extremo.

Mas a minha posição preferida é poste!

As exigências da competição de nível superior a que foste sujeita, implicou certamente a necessidade de adaptação a uma nova realidade. Que mensagem podes transmitir a todas as jogadoras que possam passar por essas experiências?

Que nunca desistam mesmo que por vezes as coisas não estejam a correr tão bem e que aproveitem para aprender com os mais experientes!

Conta-nos a melhor e a pior situação que já passaste no basquetebol.

A melhor situação foi quando fui campeã pelo União Sportiva da Liga feminina!

Penso que qualquer jogadora ficaria feliz de ser campeã no topo da Liga em Portugal.

E a pior situação foi quando um treinador me disse que eu estava a me “marimbar” para o basquetebol, quando eu na altura fazia de tudo para conciliar a universidade com os treinos e as viagens ao fim de semana. 

O que é que recordas das tuas participações nas Seleções Açores?

Só boas experiências. Eu adorei ir às duas participações que fui e tive pena de não ir a mais.

É um ambiente espetacular, jogar na arena, fazer jogos com os amigos na praia, ver jogos de grandes seleções, os momentos de equipa, conhecer novas pessoas, aprender com as nossas próprias colegas de equipa. Lembro-me de todas as minhas colegas de seleção e hoje em dia se passarmos umas pelas outras falamos sempre e no facebook costumamos partilhar fotografias de alguns momentos que passámos.

Regressaste este ano à ilha do Faial e tens desenvolvido um bom trabalho de captação de novos praticantes. Fala-nos desta tua nova experiência.

Estou a adorar dar treinos aos minis. Gosto muito de ir às escolas e depois de ver essas crianças nos encontros que temos vindo a realizar!

Apesar de nas escolas os treinos serem de pouco tempo, vejo nos encontros evolução e uma grande satisfação por parte das crianças e isso neste momento é muito importante, porque queremos que elas sintam prazer naquilo que estão a fazer.

Preferes ser treinadora ou jogadora?

Se me perguntassem há uns anos atrás se queria ser treinadora, eu dizia que não, porque eu queria era jogar.

Mas agora, estou a adorar trabalhar com os minis, é espetacular. Ainda assim, é difícil dizer o que prefiro, porque adoro jogar mas também estou a adorar ensinar os mais novos. Acho que não consigo escolher!

Sentes que no tempo que dedicas ao basquetebol és recompensada?

Tudo o que tenho feito, faço porque gosto e porque quero ajudar o clube, não para receber nada em troca. No entanto, sinto-me recompensada quando vejo que as crianças gostam de treinar, que ficam super felizes quando me vêem chegar com o material para o treino, quando me dizem que adoram o minibasquete e quando vejo que estão a evoluir.

Quais os teus projetos para o futuro?

Por agora quero terminar o mestrado, pois falta-me apenas apresentar o meu relatório de estágio para concluir o curso.

Depois gostava de tirar o curso de treinador, porque eu estou com os minis com base naquilo que sei enquanto jogadora e com a minha formação de educadora e professora para o 1º ciclo.

Também gostava muito de tirar uma pós graduação em educação especial para completar o meu curso e por ser uma área que me tem vindo a entusiasmar ao longo do curso e sem dúvida de continuar neste projeto do basquete no Fayal Sport Club.

Que conselho(s) é que gostarias de transmitir aos jovens praticantes?

Que treinem e joguem com alegria e com o amor que têm pelo basquete. Treinem sempre com empenho, ouvindo e respeitando os treinadores e colegas e que mantenham sempre um grande espírito de equipa, pois é esse espírito que também ajuda as equipas a crescerem! E que apesar da pouca competição na ilha não desmotivem, mas sim continuem a trabalhar, pois em 2007 quando fomos campeãs em iniciadas também não tinhamos muita competição, mas tínhamos um grupo muito trabalhador e empenhado!

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